Olho para o espelho, como se esperasse me enxergar através dessa carne que me envolve e aprisiona. "Quem é você?", e espero que meus olhos respondam. Carne, osso, coração, joelho, mão, olho...Sou o que vejo. Observo de novo meu reflexo, nada mudou. Mesmo? E se algo mudou e eu não vi? Bom, você também não terá visto, e aí, nada mudou. Um outro alguém escolheu entre o sim e o não, decidiu minha carne, desenhou meu corpo. Quem? Devo ser algo mais do que o que vejo. Sou o que faço. Isso quem escolhe sou eu...mas, quem sou eu? Faço choro, por quê não sorriso? Faço amor, por quê não ódio? Faço eu, por quê não fazes tu? Algo mais me é. Tempo, talvez o tempo me seja um pouco. Um pouco cor e flor, morte e vida, calor e calma, ar e amor, raiva e frio, paciência e dor...
Que rio é esse que te desagua e faz-me mar?
Quem sou você? Espero que nada mais do que nós.
eu podia transformar minhas lágrimas em palavras e apagar cada uma com seu beijo bom de carinho. eu podia marcar, nessa terra úmida, com minhas mãos trêmulas de coragem, o leito desse rio que violentamente rompe em meu peito. eu podia falar do odor acalorado daquelas flores laranjas, daquela árvore que acena sozinha em meio ao asfalto, daquele riso feliz que me sorria a casa vazia...
mas não.
seus lábios eu não encontro, a terra já está seca, e eu, eu esqueço de amar, eu desaprendi a sorrir.
mas não.
seus lábios eu não encontro, a terra já está seca, e eu, eu esqueço de amar, eu desaprendi a sorrir.
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