Quando me dei conta, meus olhos repousavam em mim. Viam a forma que eu sempre fora antes de ser, as coisas minhas que nem eu mesma sabia. Meus olhos repousavam num vazio sem cor, sem forma. Ali eu podia descansar meus olhos, pois ali não se preocupavam em dar nome ou forma ou jeito a coisa nenhuma. Ali era uma folha branca, lisa e calma, um vazio tranquilo. Meus olhos repousam no meu vazio tranquilo, sem cor nem forma. Mas essa ausência me assustou e quando eu tentava olhar pra trás eu via tudo. Vi horrores, eram terríveis as coisas sobre mim que eu nunca soube. Vi que podia mas não era, tudo que já morrera sem nascer e putrefava em mim. O tempo que passou parado, o compromisso da ausência, o que nunca aconteceu, tudo isso marcou meu olhar.
O que vi meus olhos já não esquecem e se eu soubesse que ousei ver, eu jamais me perdoaria.
Será que tem algum momento que a gente simplesmente olha para trás? Será que chega alguma hora que já é tarde demais? Será que em algum momento essa dimensão tão angulosa de tempo e espaço se torna uma gota tranquila de orvalho, e nos acolhe com um interesse livre e uma necessidade que nada exige? Nesse dia, talvez eu me arrependa. Não sei bem de que. Talvez eu me arrependa daquele não, que por algumas vezes atropelou o sim, ou do sim, que tantas vezes fez pouco do não Nesse dia talvez eu sinta a liberdade de finalmente poder nada ser. Não ser nada aos olhos de ninguém, ser tudo, livre para caminhar para o mar e simplesmente ser.
Esse dia talvez nunca chegue. Esse dia talvez seja eterno. Esse dia talvez seja o fim de tudo. Depois desse dia talvez tudo seja igual, e nada mais seja o mesmo.
Esse dia talvez nunca chegue. Esse dia talvez seja eterno. Esse dia talvez seja o fim de tudo. Depois desse dia talvez tudo seja igual, e nada mais seja o mesmo.
convencida quero estar
Eu queria, mais que tudo, que tu quisesse me convencer. É, porque convencer é vencer junto, eu e tu. Daríamos as mãos para celebrar a vitória, vitória minha e tua. E aí, então, estaria tudo vencido, estaria tudo sendo vivido naquele universo entre a palma da tua mão e da minha, naquele mundo meio esquecido entre meus olhos que buscam a certeza e sua respiração incerta que cria a distração.
Aí, então, estaria tudo vencido, vivido, e quase esquecido. Eu seria tua paz, tu, meu encontro. Tu saberia de mim o que eu não sei, e nós seríamos bichos que têm de tudo sem exigir, seríamos o interesse livre, o desejo ausente.
Eu estaria convencida, e tudo estaria vencido.
Aí, então, estaria tudo vencido, vivido, e quase esquecido. Eu seria tua paz, tu, meu encontro. Tu saberia de mim o que eu não sei, e nós seríamos bichos que têm de tudo sem exigir, seríamos o interesse livre, o desejo ausente.
Eu estaria convencida, e tudo estaria vencido.
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