Uma coisa qualquer linda de se ver

Eu gosto muito de letras, de contornos e também de linhas.
Me encantam as páginas ainda vazias, prontas para serem escritas, ou mesmo lidas.
Gosto de tinta, ai, como gosto de tinta! gosto de traços por definir, de rabiscos ainda incompreensíveis.
Adoro movimento ainda por fazer, aquela palavra ainda nas idéias, ou da história cujo ponto final não se vê!

Eu queria poder começar com uma exclamação e terminar com dois pontos, nossa, como eu queria! A possibilidade é tão fantástica; a interminável mudança, a certeza do incerto, me enchem de alegria. O que terminado está é fadado a ser estanque no tempo, inadequado ao logo mais. Talvez eu goste mesmo é de tudo, não, não, talvez de qualquer coisa.

Melhor, eu gosto é de ver o nada se transformar em qualquer coisa, em uma coisa qualquer linda de se ver, já que, em instantes, será algo que ainda não é.