A angústia é uma vontade muito grande, uma necessidade; uma disputa repleta de acusações entre o mim e o eu, um coloca a culpa no outro, e o fardo da incompetência recai sobre ambos. A vontade do mais, e a certeza do menos. viver é muito fácil, é involuntário, para viver basta nascer. É como ser jogado no rio, não tem como fugir da correnteza. existir, existir é mais, precisa querer, existir é mais um ato do que um simples fato, é como beber da água para virar um pouco rio, para se fazer movimento, se fundir em um só com a vida e fazer dela, sobretudo, você mesmo.
Sei que vivo, em lapsos de loucura surgem dúvidas, mesmo em movimento pareço parada se não tenho uma referência, para ter certeza busco um ponto fixo, basta estar com outro. não sei como ter certeza que existo. Sequer existe essa certeza? talvez existir seja só uma ilusão, um objetivo para dar sentido a vida que nos foi imposta. Por quem? não sei, talvez nem interesse, a vida se sente no 'real', que as vezes apraz, as vezes sufoca, as vezes se quer pra sempre, as vezes se quer o fim.
É época de morangos, eu os adoro; são lindos os kiwis que, cheios de vida, parecem guardar raios de sol, tem torta de morango da minha vó no almoço de domingo, o céu é lindo, lindo, as cores aconchegantes, o frio é desenhado pela luz serena...a certeza quase chega, mas me percebo desatenta, logo vejo a ilusão que a guia pelas mãos. talvez eu esteja pouco distaída, talvez baste a falta de atenção, e logo a vida se fará viva na existência. plena. Quem sabe não me sobram pensamentos, desistir deles talvez fosse melhor. Logo será época de caqui, de acordar a cada dia com beijo bom de luz, de voltar pra casa de noite com sol se pondo, de vontade de praia todo o dia...Quem sabe então?
O bom é bom demais pra ser aqui
Foi um instantezinho só, bem curto e ligeiro.
O céu, pintado daquele azuldeinvernoensolaradonorio, era acolhedor; a jabuticabeira, fantástica, porque era bicolor, algumas partes tinham cor de dia e outras cor de noite; o jardim de tão quase secreto me era mágico. Toda essa perfeição embelezava o mundo como se fossem os deuses a desenhar felicidade. Era tudo lindo, lindo, tão lindo que não me tocava e desconcertava, porque estava bem ali, e eu muito aqui, tinha entre nós um abismo interminável.
A inquietação nunca foi uma grande amiga, mas agora já me parecia quieta, talvez tenha ficado surda, ou só me acustumado. Recostei no ombro da moça e, por um tempo, não pronunciamos uma palavra. O silêncio geralmente incomoda, criando um barulho vazio e que não diz nada, mas esse silêncio não criou nada mais que sua própria paz. Alguns minutos se passaram, ela lendo e eu ali, deitada. Não sei bem o quanto foi meu e o quanto foi dela esse feito, ou mesmo se foi um simples e gostoso acaso dentre os tantos mais. Estávamos as duas e o mundo recostados na grama, o mundo também esteve aqui, muito aqui, tão aqui que me envolveu, me abraçou e mesmo me embrincou, afagou meus desconcertos e inquietudes num acalanto de alma amiga. Num ombro que se fez quase irmão, fui parte do que desde sempre participo, senti o aqui e ali se tornando um só lugar, o que eu estava.
O silêncio logo se desfez por parte dela. Minha resposta saiu rápida, baixa, incerta, tinha medo de me mexer e desfazer aquele abraço. Esperei, fiquei muito parada, fechei os olhos, sim, estava tudo em seu lugar. O papo continuou, correu para outros temas e outras bocas. Junto com o papo, correu o tempo, que acabou com o dia.
O mundo desceu o abismo e me deixou ali, as emoções voltaram para o seus lugares fora de lugar, os pensamentos a correr desenfreados, deixando para traz a sanidade e a razão. Não sei, não mesmo, talvez nunca mais consiga sentir o mundo como em um banho bom de mar, cercando e carregando todo o meu eu em seus braços, cheio de beijos e carinho. Diante daquela perfeita harmonia e sintonia, senti se desfazer o medo de ser incompetente para vida, confesso, ainda agora sinto, bem ao lado dos amigos desconcerto e inquietação, mas sei como é não sentir. Sei também como é sentir que o bom é bom demais aqui mesmo, mesmo que por um instante.
O céu, pintado daquele azuldeinvernoensolaradonorio, era acolhedor; a jabuticabeira, fantástica, porque era bicolor, algumas partes tinham cor de dia e outras cor de noite; o jardim de tão quase secreto me era mágico. Toda essa perfeição embelezava o mundo como se fossem os deuses a desenhar felicidade. Era tudo lindo, lindo, tão lindo que não me tocava e desconcertava, porque estava bem ali, e eu muito aqui, tinha entre nós um abismo interminável.
A inquietação nunca foi uma grande amiga, mas agora já me parecia quieta, talvez tenha ficado surda, ou só me acustumado. Recostei no ombro da moça e, por um tempo, não pronunciamos uma palavra. O silêncio geralmente incomoda, criando um barulho vazio e que não diz nada, mas esse silêncio não criou nada mais que sua própria paz. Alguns minutos se passaram, ela lendo e eu ali, deitada. Não sei bem o quanto foi meu e o quanto foi dela esse feito, ou mesmo se foi um simples e gostoso acaso dentre os tantos mais. Estávamos as duas e o mundo recostados na grama, o mundo também esteve aqui, muito aqui, tão aqui que me envolveu, me abraçou e mesmo me embrincou, afagou meus desconcertos e inquietudes num acalanto de alma amiga. Num ombro que se fez quase irmão, fui parte do que desde sempre participo, senti o aqui e ali se tornando um só lugar, o que eu estava.
O silêncio logo se desfez por parte dela. Minha resposta saiu rápida, baixa, incerta, tinha medo de me mexer e desfazer aquele abraço. Esperei, fiquei muito parada, fechei os olhos, sim, estava tudo em seu lugar. O papo continuou, correu para outros temas e outras bocas. Junto com o papo, correu o tempo, que acabou com o dia.
O mundo desceu o abismo e me deixou ali, as emoções voltaram para o seus lugares fora de lugar, os pensamentos a correr desenfreados, deixando para traz a sanidade e a razão. Não sei, não mesmo, talvez nunca mais consiga sentir o mundo como em um banho bom de mar, cercando e carregando todo o meu eu em seus braços, cheio de beijos e carinho. Diante daquela perfeita harmonia e sintonia, senti se desfazer o medo de ser incompetente para vida, confesso, ainda agora sinto, bem ao lado dos amigos desconcerto e inquietação, mas sei como é não sentir. Sei também como é sentir que o bom é bom demais aqui mesmo, mesmo que por um instante.
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