Era uma letargia de bosta. Tudo, absolutamente tudo, tornava-se indizível, seus verdades, suas vontades, seus ódios, seus medos, a incompetência, a indiferença, ...Tudo. E ela, se resumia a nada.
Na cama, no quarto escuro, sozinha...estava tudo uma merda, mas, se sentasse, doía, se acendesse a luz, ofendia, se aparecesse alguém, dominavam ímpetos homicidas. Queria mais que tudo chorar, mas se parasse, estava bom também. Tinha raiva, muita, só não sabia de que; Queria algo que não sabia querer, mas queria muito, muito. Sentia amor, repulsa, ódio, necessidade, certeza...de nada, simplesmente de nada.Odiava a idéia de se mover, de quebrar a estática solidão que a envolvia, mas se perdiam, em seus músculos, impulsos por fazer, contorcia-se de dor, uma dor que não doia. Sabia ter todos os sentimentos dentro de si, sentia-os todos, retorcendo suas víceras, dilacerando seu corpo, torturando sua consciência...todos se faziam de ausência.De repente, tudo se perdia em odiosa serenidade, uma serenidade falsa e zombeteira, que se fazia só para se desfazer como em um soco. Um soco surdo, que a fazia perder o ar...o ar se tornava denso, carregado de toda a inexistência que sentia, carregado das infindáveis interrogações, que perguntavam não sabia bem o que, e, eternamente, eram irrespondidas.
Sentia-se uma babaca, achava o mundo uma merda, e a vida, uma brincadeira escrota e sem graça.
Dormiu...
o sono sempre chega na hora que os pensamentos estão mais livres.
ResponderExcluirputa escrotice isso..