Um gostinho de nada

Foi horrivelmente encantador,
da interpretação, fez-se texto de novo:
era tão vazia que ganhou forma,
logo mais, cor,
e então,
vida.

Vi o texto de novo

Foi serenamente inquietante,
no momento, o sim me respondeu que não
E uma gota se esborrachou de cara no chão.
Teve fim a pasmeceira
lenta,
passiva.

Enquanto verdade, se desfez,
se fez nada.
Enquanto nada, fez verde,
criou vida.

E então saí, eu,
a cheirar, pelas esquinas,
minha flor nenhuma.

Na minha flor nenhuma, não tinha perfume algum,
naquela rua, não tinha chão.
A gota se esborrachou.

Eu toquei a cor,
vi o perfume,
devorei o chão.
Senti a vida.

Ali, do texto construiu-se o vazio,
a partir dos pedacinhos repletos de nada.
Do nada...Talvez insana,
certamente adorável,
Senti vida.

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