outro dia vi duas pessoas na rua se beijarem pelo que parecia a primeira vez. foi tão bonito, tão doce.


eles se abraçaram e ele deu um beijo na bochecha dela, o que me pareceu ser seu comprimento usual de amigos. seu beijo foi prolongado por um desejo de tê-la  e o temor de não o poder, que duelavam em sua mente. num súbito ato de coragem, ele desceu suas mãos delicada e gentilmente pelas costas dela, até a sua cintura, enquanto ela se perdia naquele beijo casual de comprimento, imaginando que poderia ser algo mais. quando ela, lentamente, deslocou a cabeça de seu ombro, os olhos dele se abriram e em seu olhar tinha uma mistura de adrenalina, desejo, esperança e medo. mas, pela primeira vez suas mãos trêmulas não obedeceram seu medo, e continuaram na cintura da moça. o medo se esvaiu dos olhos do rapaz, quando a cabeça, que ela movia lentamente em hesitação parou diante de seu rosto. naqueles poucos segundos em que ela se perguntava se aquilo era um sinal, o olhar deles transmitia um encantamento, uma satisfação. entre os olhares se fez um universo ingênuo de desejo e carinho. ela resolveu que aquilo era um sinal, aproximou-se dele e beijo-o, carinhosa mas rapidamente, como que com medo de desistir. então, as mãos trêmulas relaxaram e parecia que não tinha outro lugar no mundo onde deveriam estar que não naquela cintura. o olhar da moça, que borbulhava hesitação no meio de inseguranças se desfez no que suas pálpebras lentamente desceram, e pareceram conduzi-la a serenidade do desejo satisfeito.
ao abrirem os olhos, aquele universo continuava ali, cheio de encanto, com ainda mais desejo e carinho. eles brincaram por alguns instantes naquele universo, enquanto suas cabeças se tocavam.


o sinal fechou e eu atravessei a rua.

Nenhum comentário:

Postar um comentário