Ansiava, e mesmo assim não percebia o quanto, por de(le)itar-me em seu peito. Naquele ângulo entre o seu pescoço e o seu esterno, justo no alcance da vista a vida latejando na aorta e o seu corpo, meu leito, pulsando sangue.

Meu primeiro amor encarnado. Amei seu corpo, seus atravessamentos, suas lutas. Suas questões, seus ângulos, seus pertencimentos. Seu toque, seu cheiro. Nossos entraves flutuantes, o tempo e o espaço que, se entrecruzando, fomos e nos foram. Amei meus incômodos, o que fui ao seu lado. Minhas crises, meu pescoço, minhas escolhas, meus pés. Meu ventre.

Minha primeira paixão ausente. As memórias se desfizeram em um ente intangível, que se postou além da consciência e do pessoal. O apego, o desejo de retorno ao paraíso idílico, que tornara-se inacessível, levaram a disruptura, a derrocada.

                   Lembrei-me de sua narrativa,
                   contei-me a nossa história,
                   fiz de seu peito meu leito.
 És corpo, somos pulso, movimento.






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