nenhum silêncio é absoluto. nessa lógica do tempo tripartido, sigo empurrada? puxada?
no presente, que é o mais próximo que jamais cheguei da eternidade, construída pela memória, protegida pelo esquecimento. não seria quem sou se não lembrasse do que vivi, não seria nada se soubesse de tudo que vivi e foi vivido, sigo abençoada pelo binômio memóriaesquecimento. vez por outra minha mente se perde na sedução das ilusões, ela caminha mais rápido que meu corpo e vive refém da obsessão do futuro que é sempre logo mais. Eu, eu me perco da eternidade, e de repente não encontro mais refúgio no real
já se passaram 16 anos desde o fim do mundo. pensa no foi, sendo, será, será que os momentos fundamentais já me visitaram? no abismo entre a aspiração sonhadora e a realidade grandiosa, estão as coisas óbvias, que lhe causam horror, repulsa e que costuma negligenciar. diante de si, estavam o diabo, o sol, o amante, o carro, a roda da vida- "a tendência da vida é dar certo": descoordenada mental. não sabia exatamente o que fazer com essa informação, sempre se perguntou sobre o real, e a realidade se transfigurou em algo insidioso. ainda está confusa, mentaliza os elementos, conscientiza-se não sabe ao certo de que.
tá tudo azul, questões mais abstratas me distraem do fluxo sensorial que
deveria fazer da realidade um refúgio. Mente Coração Sexo, desconstrução e uma
certeza canalha que resta em um sussurro insistente. Não lembro o dia ou como me foi ensinado, tampouco como esqueci ou se aprendi,
mas a necessidade descompassa a capacidade. restam ambas embrincando,
contorcendo-se num corpo que anseia por um ano com mais outonos.
Hoje a noite desce mais uma vez sobre uma espera vã. Não sei bem o que é, mas essa interminibilidade parece sufocar todo o meu corpo. todos os meus esforços mobilizados em uma busca fadada ao fracasso. ofegante, busco a finitude, preencher. E, finalmente, se descobre incompleta.
Mais uma vez.
Uma sexta a noite que caiu na terça feira; Uma conversa despretensiosa que se prolonga pela madrugada. entre conceitos e visões, descubro que essa porra é essa porra mesmo. sua surpresa dizia mais sobre mim, sobre sua visão sobre mim, do que dele mesmo, como eu tinha imaginado. Preciso falar disso pra alguém, ou não, mas precisava que todos soubessem. Não todos, mas pelo menos alguns. Mas como? Angústia. A angústia é ter o que dizer e não saber como. A angústia sou eu que resta silenciada, é você que ignora.
Mais uma vez.
Uma sexta a noite que caiu na terça feira; Uma conversa despretensiosa que se prolonga pela madrugada. entre conceitos e visões, descubro que essa porra é essa porra mesmo. sua surpresa dizia mais sobre mim, sobre sua visão sobre mim, do que dele mesmo, como eu tinha imaginado. Preciso falar disso pra alguém, ou não, mas precisava que todos soubessem. Não todos, mas pelo menos alguns. Mas como? Angústia. A angústia é ter o que dizer e não saber como. A angústia sou eu que resta silenciada, é você que ignora.
outro dia vi duas pessoas na rua se beijarem pelo que parecia a primeira vez. foi tão bonito, tão doce.
eles se abraçaram e ele deu um beijo na bochecha dela, o que me pareceu ser seu comprimento usual de amigos. seu beijo foi prolongado por um desejo de tê-la e o temor de não o poder, que duelavam em sua mente. num súbito ato de coragem, ele desceu suas mãos delicada e gentilmente pelas costas dela, até a sua cintura, enquanto ela se perdia naquele beijo casual de comprimento, imaginando que poderia ser algo mais. quando ela, lentamente, deslocou a cabeça de seu ombro, os olhos dele se abriram e em seu olhar tinha uma mistura de adrenalina, desejo, esperança e medo. mas, pela primeira vez suas mãos trêmulas não obedeceram seu medo, e continuaram na cintura da moça. o medo se esvaiu dos olhos do rapaz, quando a cabeça, que ela movia lentamente em hesitação parou diante de seu rosto. naqueles poucos segundos em que ela se perguntava se aquilo era um sinal, o olhar deles transmitia um encantamento, uma satisfação. entre os olhares se fez um universo ingênuo de desejo e carinho. ela resolveu que aquilo era um sinal, aproximou-se dele e beijo-o, carinhosa mas rapidamente, como que com medo de desistir. então, as mãos trêmulas relaxaram e parecia que não tinha outro lugar no mundo onde deveriam estar que não naquela cintura. o olhar da moça, que borbulhava hesitação no meio de inseguranças se desfez no que suas pálpebras lentamente desceram, e pareceram conduzi-la a serenidade do desejo satisfeito.
ao abrirem os olhos, aquele universo continuava ali, cheio de encanto, com ainda mais desejo e carinho. eles brincaram por alguns instantes naquele universo, enquanto suas cabeças se tocavam.
o sinal fechou e eu atravessei a rua.
eles se abraçaram e ele deu um beijo na bochecha dela, o que me pareceu ser seu comprimento usual de amigos. seu beijo foi prolongado por um desejo de tê-la e o temor de não o poder, que duelavam em sua mente. num súbito ato de coragem, ele desceu suas mãos delicada e gentilmente pelas costas dela, até a sua cintura, enquanto ela se perdia naquele beijo casual de comprimento, imaginando que poderia ser algo mais. quando ela, lentamente, deslocou a cabeça de seu ombro, os olhos dele se abriram e em seu olhar tinha uma mistura de adrenalina, desejo, esperança e medo. mas, pela primeira vez suas mãos trêmulas não obedeceram seu medo, e continuaram na cintura da moça. o medo se esvaiu dos olhos do rapaz, quando a cabeça, que ela movia lentamente em hesitação parou diante de seu rosto. naqueles poucos segundos em que ela se perguntava se aquilo era um sinal, o olhar deles transmitia um encantamento, uma satisfação. entre os olhares se fez um universo ingênuo de desejo e carinho. ela resolveu que aquilo era um sinal, aproximou-se dele e beijo-o, carinhosa mas rapidamente, como que com medo de desistir. então, as mãos trêmulas relaxaram e parecia que não tinha outro lugar no mundo onde deveriam estar que não naquela cintura. o olhar da moça, que borbulhava hesitação no meio de inseguranças se desfez no que suas pálpebras lentamente desceram, e pareceram conduzi-la a serenidade do desejo satisfeito.
ao abrirem os olhos, aquele universo continuava ali, cheio de encanto, com ainda mais desejo e carinho. eles brincaram por alguns instantes naquele universo, enquanto suas cabeças se tocavam.
o sinal fechou e eu atravessei a rua.
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