sua relação consigo mesma tinha algo de agnosticismo, sabia-se divina mas não acreditava em si. Clarice pensou nisso a caminho do lugar que tanto ansiava e temia deixar de ir, enquanto olhava as coberturas emolduradas pela luz azul de inverno, uma luz que concilia. ansiosa, buscando preencher o pulmão, percebe-se calma quando constata que até na dor goza-se de si mesmo. seu pulmão continuava meio cheio, meio vazio. nada além de si mesmo.
Voltou para casa com os olhos regados de lágrimas secas:ela mesma é demais, não basta. imersa em uma estrutura percebe que pretende buscar o emaranhado.
não posso dormir aqui, não sei bem porque. na noite que aprendeu que não sabia amar, mas que tinha amor, o controle se perdeu. e ela finalmente colocou pra fora tudo que tinha dentro de si, numa procura obsessiva pelo controle. já fazia tanto tempo... não olha nos meus olhos, você pode acabar descobrindo o medo. ninguém quer ver o medo nos olhos do gozo. medo de amar, medo do nãoamor, os desejos equilibristas são derrubados pela estrutura, tenho que ir pra casa.
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